ASSIM FALA
MORGANA
Morgana fala…
Até hoje nunca soube quantas noites e dias passei no país
das fadas – até hoje minha mente se torna confusa quando tento fazer a conta.
Por mais que me esforce, não acredito que fosse menos de cinco, nem mais de
treze.
Tampouco tenho certeza do tempo que transcorreu fora dali,
nem em Avalon, enquanto estive lá, mas como a humanidade registra melhor a
passagem do tempo do que no país das fadas, sei que cerca de cinco anos se
passaram.
À medida que envelheço, penso cada vez mais que talvez o que
consideramos como o passar do tempo só acontece porque adquirimos o hábito,
terrivelmente arraigado, de contar as coisas – os dedos de um recém-nascido, o
nascer e o pôr do sol -, e por isso pensamos com muita freqüência no número de
dias ou de estações que devem transcorrer antes que o grão amadureça, ou nosso
filho cresça no ventre e seja dado à luz, ou que algum encontro muito desejado
se concretize.
E o registramos de acordo com o passar do ano e do sol, como
o primeiro dos segredos sacerdotais. No país encantado, eu nada sabia do tempo,
e portanto para mim ele não passava.

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