Quando dele sai, descobri que já havia mais marcas no rosto
de Gwenhwyfar e que a deliciosa juventude de Elaine começava a desaparecer.
Minhas mãos, porém, não estava mais magras, meu rosto
continuava intocado pelas marcas ou rugas, e embora em nossa família os cabelos
embranqueçam cedo – aos dezenove anos Lancelote já tinha alguns cabelos brancos
-, o meu estava tão negro e intocado pelo tempo quanto à asa de um corvo.
Cheguei a pensar que quando os druidas retiraram Avalon do
mundo da contagem e do registro constantes, isso também começou a acontecer
ali.
O tempo não flui sem medida em Avalon como num sonho, ou
como no país das fadas.
Não obstante, o tempo começou a correr ali mais devagar.
Vemos a lua e o sol da Deusa e registramos os ritos nas pedras circulares, de
modo que o tempo nunca nos abandona totalmente.
Mas não corre paralelo ao tempo de outros lugares, embora se
possa pensar que se os movimentos do sol e da lua fossem conhecidos de todos, o
tempo em Avalon teria de passar do mesmo modo que no mundo lá fora… Mas não é
assim.
Nestes últimos anos, eu podia passar um mês em Avalon e
descobrir, quando saia de lá, que toda uma estação ocorrera lá fora.
E ao final daqueles anos, isso sucedeu mais amiúde, pois eu
não tinha paciência para ver o que acontecia no mundo exterior.
E quando as pessoas viam que eu continuava sempre jovem,
então me consideravam, mais do que nunca, uma fada ou uma feiticeira.
Mas isso foi muito, muito tempo depois.
Pois quando ouvi a Raven dar aquele grito aterrorizador que
varou os espaços entre os dois mundos e chegou até mim, onde eu estava, no sono
intemporal do mundo encantado, eu parti… mas não para Avalon.
Retirado de As Brumas de Avalon – A Grande Rainha, pág. 229 –
230

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